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quarta-feira, 7 de junho de 2017

"Nós", Yevgeny Zamyatin


Autor(a): Yevgeny Zamyatin
ISBN: 9788576573111
Páginas: 344
Editora: Aleph


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"Nós" é uma distopia que nos apresenta uma sociedade aparentemente perfeita e que baseia suas regras na uniformidade e organização. Neste sistema, todos os elementos reforçam a ideia de "um": desde o nome do local, Estado Único, a vestimenta dos habitantes, e a forma das edificações, com suas paredes de vidro que só permitem algum nível de privacidade nas horas de encontro íntimo, marcados antecipadamente, onde até seus parceiros sexuais não são exclusivos. D-503 é um matemático e engenheiro que está a frente da construção da Integral, uma nave que tem como objetivo ir à outros planetas e galáxias demonstrar como o Estado Único é perfeito, até que conhece uma misteriosa mulher que o faz encarar de forma totalmente diferente sua realidade.

Mesmo sendo sempre atraída por livros distópicos que debatam sobre o sistema político, me surpreendi gostando do foco que "Nós" dá ao indivíduo, tornando-o o centro do enredo. 

Deixando de lado a trama política, vamos acompanhar a transformação da pessoa racional e direta que é D-503 para uma pessoa cheia de questionamentos que ele se torna após conhecer I-330. Essa mudança vai se refletir diretamente na narrativa, a qual fica mais intrincada e confusa.

Essa mistura em relação ao nosso narrador é, ao mesmo tempo, bem vinda como recurso para enfatizar seus sentimentos e como ele está processando os novos acontecimentos, como também conseguiu me deixar um tanto confusa quanto a mensagem que o autor gostaria de passar: li duas ou três vezes para entender algumas partes do auge da perturbação de D-503, por exemplo.

Como a sociedade não é o tema principal, obviamente temos uma perda em relação às origens e detalhamento sobre o novo governo, mas com um pouco de atenção, dá para entender pela narrativa de D-503 como tudo funciona, sem a necessidade de várias páginas de explicação. E acabei gostando muito de não precisar receber tanta informação para ter uma ideia de como o Estado Único funcionava. 

A leitura em si realmente não é fácil, mas é poética em suas comparações e tem um tom muito atual apesar de ter sido escrito quase cem anos atrás, o que me agradou bastante.

Os extras também são muito bem vindos: a resenha sobre o livro, escrita por George Orwell, autor de 1984, foi uma grata surpresa e a carta de Zamiátin a Stálin foi triste de se ler e dá a exata noção do período turbulento que a Rússia passava. 

E o que falar da edição? Está linda, adorei as cores e a diagramação e, unida ao enredo, tornou "Nós" um exemplar a se ter na estante.


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